Anger Management 1x01/02: Charlie Goes Back to Therapy / Charlie and the Slumpbuster
3.7.12
As aventuras pós-morte de Charlie Sheen.
Parece que os dias de bon vivant e empregado mau exemplo de
Charlie Sheen realmente acabaram. O irresponsável, riquinho e mulherengo
Charlie Harper deu lugar ao responsável, trabalhador e, claro, mulherengo
Charlie Goodson.
Depois das desventuras do ator em Two and a Half Men, e dele
conseguir a façanha de ser demitido mesmo ganhando 2,5 milhões de dólares por episódio,
a FX teve a coragem (e bota coragem nisso) de contratá-lo para o papel de um terapeuta divorciado e
pai de uma filha.
Mas a verdade é que Anger Management é a terapia do próprio
Sheen se recuperando depois de ser chutado. De cara, a primeira fala dele é a de
um empregado brigando com o patrão e se demitindo em seguida – um recadinho à
CBS e à Chuck Lorre.
A promoção da nova série se aproveitou bastante da tumultuada
demissão. Frases como “Todo mundo merece uma 24ª chance” e teasers onde ele
mostrava sua cara sapeca – e viva – dentro de um caixão, faziam graça da
desgraça ocorrida. O título, “Controle da Raiva”, também leva ao mesmo assunto,
lembrando-nos do Charlie descontrolado e perdido na época da confusão.
No entanto, Anger Management tenta criar sua própria originalidade,
arrumando um passado para o protagonista e características que o distinguem, ou
tentam distingui-lo, do velho Charlie.
Este novo homem, apesar de ainda mulherengo, é um homem que
reconhece quando precisa de ajuda para manter o autocontrole no eixos. O fato
de ele ser terapeuta, defender a terapia, e dormir com sua terapeuta,
“facilita” para que ele tente se controlar quando os ataques de fúria começam
a ficar saidinhos.
E como este “autocontrole” não poderia vir sem uma
pegadinha, eis que sua terapeuta é também sua parceira sexual dos sonhos,
aquela que gosta de sexo e dispensa o papinho de sentimentos. Dessa bagunça dos
dois saem algumas boas risadas. Ele precisa de terapia, porém é antiético para o terapeuta
dormir com seu paciente. A não ser que este paciente seja Charlie...
A causa dos ataques de fúria saidinhos é o namorado da
ex-esposa, que com suas estatísticas de burrice, resolve convencer a filha de
Goodson que ir à faculdade não é uma boa coisa. Como o bom papai-leão que Charlie é,
tal atitude faz com que ele fique atiçado para a briga... para logo em seguida
perceber que está perdendo as estribeiras outra vez.
Acontece que Goodson era um jogador de beisebol com futuro
promissor, não fosse o fato de um ataque de raiva resultar nele machucando a si
mesmo e finalizando sua carreira. Uma analogia que também pode ser levada ao
contexto de Two and a Half Men...
Mas, agora ele é um novo homem e um novo profissional. Como
terapeuta, ele ajuda seus (caricatos) pacientes a controlarem a raiva. Vira e
mexe ele usa exemplos de sua própria vida, como no caso do beisebol, para
ilustrar para eles os “efeitos” da raiva. E como tudo tem que vir com uma
pegadinha...
O passado volta a assombrá-lo, através de sua slumpbuster (“tira azar”) Mel, a menina
feia e gorda que ‘tirou’ o azar dele e o fez entrar na liga principal de
beisebol. Charlie tenta consertar este erro se ‘sacrificando’ ao namorar Mel e
sendo gentil com ela. O velho bon vivant insiste em buscar sua redenção.
Mas será que com Anger Management, uma comédia ainda fraca,
Sheen conseguirá se redimir? Ele foi claro ao dizer que não queria deixar o que
aconteceu em Two and a Half Men ser o seu legado na TV mas, se esta é a
tentativa de construir um novo e melhor legado, ele precisa trabalhar muito
mais.
O único forte de AM é a presença do próprio Sheen. O resto
do elenco é um pouco engraçado, mas não engraçado o suficiente. A adição da
filha e da ex-mulher na história foi uma ótima ideia, só que falta “algo a
mais” para essa ideia fazer rir.
E é isto que falta na série: fazer rir. As ideias podem ter
sido ótimas, o contexto pode ter sido o mais oportuno, o protagonista pode ter
sido o mais interessante do momento, a audiência da estreia pode ter sido um
grande sucesso... Mas de nada adianta tudo isso se a comédia não consegue
cumprir sua primeira obrigação. Falta muito para Charlie Sheen se redimir.
Anger Management foi desenvolvida por Bruce Helford, que também escreveu o piloto. Andy Cadiff dirigiu "Charlie Goes Back to Therapy" e Gerry Cohen dirigiu "Charlie and
the Slumpbuster". Selma Blair interpreta a Dra. Kate Wales, Shawnee Smith faz Jennifer Goodson, Daniela Bobadilla faz Sam Goodson, Michael Arden faz Patrick, Noureen DeWulf faz Lacey, e Derek Richardson faz Nolan. Charlie Sheen atua como o protagonista Charlie Goodson e também é produtor executivo da série, que é baseada no filme de mesmo nome de 2003 (estrelado por Jack Nicholson).
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